A tecnologia para o Direito: a Lawtech

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Lawtech: A todo momento surgem novas tecnologias que influenciam o universo empresarial como um todo e mudam a forma como nos relacionamos com os clientes e oferecemos serviços. O acompanhamento das tendências do mercado é necessária e constante. No meio jurídico, tais ferramentas, além de alterar paradigmas do setor, levantam uma discussão fundamental sobre o valor dos advogados e dos profissionais do Direito que lidam com os avanços presentes hoje em nosso segmento.

Para aprofundar o debate sobre o tema, analisaremos a forma como nos relacionamos com essa e outras inovações. Acompanhem!

O caso das lawtechs

Você já ouviu falar de lawtech? Possivelmente, a melhor forma de introduzirmos este conceito, é analisar outro termo já bastante popular no ambiente de negócios brasileiro. Estamos falando das fintechs.

Fintech é um termo em inglês que vem da fusão das palavras finance com technology. Essas empresas, em geral startups, buscam, por meio da tecnologia, oferecer uma extensa gama de serviços, tradicionalmente disponibilizados por bancos e instituições financeiras. Dada sua estrutura nova e apoiada em tecnologias de ponta, costumam oferecer serviços rápidos e com menor custo.

Além das opções de serviços bancários tradicionais usualmente informatizados, a tecnologia no nicho das fintechs pode ser utilizada de maneira mais complexa, como na utilização de sistemas de inteligência artifical para a escolha de investimentos.

Feito este paralelo, chegamos, pois, a lawtech. Tais modelos de negócio partem de um princípio comum às fintechs, a saber, usar ferramentas inovadoras para facilitar a rotina jurídica.

As lawtechs também atuam segundo diferentes graus de complexidade. Podem operar, por exemplo, com a oferta de serviços tecnológicos que facilitem a coleta e leitura de informações, com sistemas que unificam bancos de dados, salvam padrões de documentos legais e emitem um alerta sempre que algum prazo irá vencer. Além disso, podem operar processos um tanto sofisticados, como no caso de cruzamento de informações de jurisprudência.

Big Data, mais inovações e o papel do advogado

O caso das lawtechs foi apenas uma situação ilustrativa para demonstrar o potencial de influência que a tecnologia tem para impactar o segmento jurídico. Entretanto, não podemos nos esquecer de um protagonista sem o qual, a tecnologia seria como uma matéria bruta com pouca utilidade prática. Estamos falando do advogado, dos analistas de dados, dos profissionais administrativos que possuem competência, dentro dos escritórios e dos departametos jurídicos, para lidar com este novo contexto de nosso mercado.

Pensemos, para efeito de análise, no Big Data. Poder contar com um conjunto rico de dados automatizados por meio de sistemas capazes de, dentre outras funcionalidades, aprimorar a gestão de processos, organizar documentos e gerir informações de negócio relevantes é algo, em tese, muito positivo. Todavia, sem um profissional com capacidade analítica para nutrir estes mesmos sistemas de informação, extrair valor dos dados fornecidos e favorecer, assim, o desenvolvimento organizacional do negócio, todo o potencial do Big Data é nulo ou severamente limitado.

Com esta metodologia que preza pela união entre o potencial das novas tecnologias e o trabalho de advogados ou profissionais administrativos especializados é que surgiram no país empresas focadas em ofertar uma gama de soluções, que incluem, por exemplo, o outsourcing jurídico ou a terceirização de atividades administrativas voltados para o mercado jurídico e o B.P.O. – análise informacional em diferentes esferas do poder público, especialmente judiciário, alimentação e atualização de bases de dados (base processual de contencioso), produção e análise de KPI’s jurídicos, atualização de andamentos processuais, avaliação de base a partir a métricas e dados pré estabelecidos afim de avaliar percentual de efetividade de acordo, e inúmeros outros levantamentos e serviços capazes de produzir informações relevantes para a tomada de decisão no negócio jurídico.

A partir desses trabalhos pioneiros, os escritórios de advocacia ou departamentos jurídicos podem, então, voltar-se para o seu nicho de mercado, sem jamais abrir mão da qualidade e eficácia dos processos internos.

Conclusão: transformando dados em informações

A tecnologia já é sabidamente um propulsor dos negócios, permitindo a criação de novos mercados como a lawtech e atualizando, de forma drástica, o trabalho em quase todas as áreas profissionais. Especialmente no direito, a inovação vem gerando mudanças importantes, sobretudo nos últimos anos.

O que precisamos ter em mente é que, as ferramentas utilizadas hoje coletam uma vasta quantidade de dados e que tais dados dependem de profissionais eficientes para transformar esta matéria-prima em informação que faça sentido ao negócio e amplie nossa inteligência empresarial. Esse é o verdadeiro valor agregado desse processo tecnológico: a capacidade que o mercado terá de transfromar dado em informação! Se seu staf não é capaz de fazê-lo, busque parceiros que o auxiliem nesse processo.

Precisamos, mais do que nunca, nos manter atualizados para utilizar a tecnologia como uma aliada no crescimento de nosso setor. Siga a rota do conhecimento e inove.

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